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Морган Райс Um Grito De Honra
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Gwen estava surpresa também. Ela não esperava ver Godfrey abrir os olhos. Ele se virou e olhou diretamente para ela.
“Godfrey?” Ela perguntou.
Ele entrecerrou os olhos, fechou-os e os abriu novamente. Então, para surpresa de Gwen, ele se apoiou em um cotovelo e olhou para elas.
“Que horas são?” Ele perguntou. “Onde eu estou?”
Sua voz soou alerta, saudável e Gwen nunca havia se sentido tão aliviada. Ela abriu um sorriso enorme, junto com Illepra.
Gwen se lançou para frente e abraçou-o com força, logo ela se afastou.
“Você está vivo!” Ela exclamou.
“Claro que eu estou.” Ele disse. “Por que eu não haveria de estar? Quem é ela?” Ele perguntou, virando-se para Illepra.
“Ela é a mulher que salvou sua vida.” Gwen respondeu.
“Salvou minha vida?”
Illepra olhava para o chão.
“Eu apenas ajudei um pouquinho.” Ela disse humildemente.
“O que aconteceu comigo?” Ele perguntou a Gwen, agitado. “A última coisa de que me lembro era que eu estava bebendo na taverna e então…”
“Você foi envenenado.” Illepra disse. “Um veneno muito raro e forte. Fazia anos que eu não encontrava esse veneno. Você tem sorte de estar vivo. Na verdade, você é a única pessoa que eu já vi sobreviver a ele. Alguém deve ter estado velando por você.”
Ao ouvir suas palavras, Gwen sabia que ela estava certa, ela imediatamente pensou em seu pai. Os raios do sol banhavam as janelas com sua luz cada vez mais forte e Gwen sentiu a presença de seu pai ali com eles. Ele tinha desejado que Godfrey vivesse.
“Bem feito.” Gwen disse com um sorriso. “Você tinha prometido que deixaria a bebida. Agora veja o que aconteceu.”
Ele virou-se e sorriu para ela. Ela viu a vida de volta em seu rosto e se sentiu inundada pelo alívio. Godfrey estava de volta.
“Você salvou minha vida.” Ele disse a ela, sinceramente.
Ele dirigiu-se a Illepra.
“Ambas me salvaram.” Ele acrescentou. “Não sei como poderei recompensá-las.”
Quando ele olhou para Illepra, Gwen percebeu algo. Havia algo em seu olhar, algo mais do que gratidão. Gwen virou-se e olhou para Illepra, notou que ela estava corada e olhava para o chão. Gwen percebeu que eles gostavam um do outro.
Illepra rapidamente virou-se e atravessou a sala, dando as costas a eles, ocupando-se com uma poção.
Godfrey olhou novamente para Gwen.
“Gareth?” Ele perguntou de repente, muito sério.
Gwen assentiu, entendendo o que ele estava perguntando.
“Você tem sorte de não estar morto.” Disse ela. “Firth está.”
“Firth?” Godfrey levantou a voz, surpreso. “Morto? Mas como?”
“Ele foi enforcado.” Disse ela. “Você seria o seguinte.”
“E você?” Godfrey perguntou.
Gwen deu de ombros.
“Ele tem planos de casar-me. Ele me vendeu aos Nevaruns. Aparentemente, eles estão vindo para me levar.”
Godfrey sentou-se, indignado.
“Eu jamais permitirei isso!” Ele exclamou.
“Nem eu.” Ela respondeu. “Eu vou encontrar uma saída.”
“Mas sem Firth, não temos nenhuma evidência.”Ele disse. “Nós não temos nenhuma maneira de derrotá-lo. Gareth permanecerá livre.”
“Nós encontraremos uma solução.” Ela respondeu. “Nós encontraremos uma saída…
De repente, a cabana encheu-se de luz quando a porta se abriu e Akorth e Fulton entraram apressados.
“Alteza. Akorth começou então se virou ao ver Godfrey.
“Seu filho da mãe!” Akorth gritou de alegria para Godfrey. “Eu sabia! Você trapaceia em quase tudo na vida, eu sabia que você ia enganar a morte também!”
“Eu sabia que nenhuma jarra de cerveja seria capaz de levá-lo ao túmulo!” Fulton acrescentou.
Akorth e Fulton se atropelaram para abraçar Godfrey quando ele pulou da cama. Todos eles se abraçaram.
Em seguida, Akorth muito sério, virou-se para Gwen.
“Minha senhora, desculpe incomodá-la, mas vimos um contingente de soldados no horizonte. Eles estão vindo até nós, agora mesmo.”
Gwen olhou para eles alarmada, em seguida, correu para fora, seguida por todos eles, ela abaixou a cabeça e apertou os olhos na forte luz solar.
O grupo ficou do lado de fora, Gwen olhou para o horizonte e viu um pequeno grupo de soldados do Exército Prata cavalgando para a cabana. Uma meia dúzia de homens avançava a toda a velocidade e não havia nenhuma dúvida de que estavam correndo até eles.
Godfrey estendeu a mão para puxar sua espada, mas Gwen colocou uma mão reconfortante em seu pulso.
“Estes não são os homens de Gareth, eles são os homens de Kendrick. Eu estou certa de que eles vêm em paz.”
Os soldados chegaram até eles e, imediatamente, desmontaram de seus cavalos e se ajoelharam diante de Gwendolyn.
“Alteza.” Disse o líder dos soldados. “Nós lhe trazemos uma grande notícia. Nós temos repelido o ataque dos McClouds! Seu irmão Kendrick está a salvo e ele me pediu para dar-lhe uma mensagem: Thor se encontra bem.”
Gwen começou a chorar com a notícia, dominada pela gratidão e pelo alívio. Ela deu um passo para frente e abraçou Godfrey, quem a abraçou de volta. Ela sentia que a vida havia brotado novamente dentro dela.
“Todos deverão regressar hoje.” O mensageiro continuou. “Haverá uma grande festa na Corte do Rei!”
“Excelentes notícias, realmente!” Gwen exclamou.
“Minha senhora.” Ouviu-se uma voz profunda. Gwen olhou para ver um senhor, um guerreiro de renome, Srog, vestido com o vermelho característico do Oeste, um homem que ela conhecia desde a juventude. Ele tinha sido amigo de seu pai. Ele ajoelhou-se diante dela e ela sentiu-se envergonhada.
“Por favor, senhor.” Ela disse. “… Não se ajoelhe diante de mim.”
Ele era um homem famoso, um poderoso lorde que tinha milhares de soldados os quais respondiam a ele e ele governava sua própria cidade, Silésia, a fortaleza do Oeste, uma cidade incomum, construída bem em cima de um penhasco, à beira do Canyon. Ela era quase impenetrável. Ele era um dos poucos homens em quem seu pai havia confiado.
“Eu cavalguei até aqui com estes homens, porque ouvi dizer que grandes mudanças estão agitando a Corte do Rei.” Disse ele com conhecimento de causa. “O trono está instável. Um novo governante – um governante firme, um verdadeiro governante – deve ser colocado em seu lugar. Eu fui informado de que o desejo de seu pai era que Vossa Alteza reinasse. Seu pai era como um irmão para mim e sua palavra era uma ordem para mim. Se for esse o seu desejo, então é o meu também. Eu vim aqui para que Vossa Alteza saiba que, se Vossa alteza governar, então os meus homens vão lhe jurar lealdade. Peço-lhe para agir com rapidez. Os acontecimentos de hoje têm provado que a Corte do Rei precisa de um novo governante.”
Gwen ficou lá, surpresa, quase sem saber como reagir. Ela sentia uma enorme humildade e ao mesmo tempo um sentimento de orgulho, mas ela também se sentia oprimida, sobrecarregada, era demais para sua cabeça.
“Obrigada, senhor.” Disse ela. “Eu sou grata por suas palavras e por sua oferta. Eu meditarei profundamente nelas. Por enquanto, tudo o que desejo é dar as boas vindas ao meu irmão e a Thor.”
Srog curvou sua cabeça e uma corneta soou no horizonte. Gwen olhou para cima e já podia ver a nuvem de poeira: um grande exército estava aparecendo. Ela levantou uma mão para bloquear a luz do sol e seu o coração disparou. Mesmo dali, ela podia sentir quem era. Eram o Exército Prata e os homens do rei.
E cavalgando a sua frente estava Thor.
CAPÍTULO ONZE
Thor cavalgava com o exército, milhares de soldados marchavam uniformemente em direção a Corte do Rei e ele se sentia triunfante. Ele ainda não podia processar o que tinha acontecido, estava orgulhoso do que ele tinha feito: estava orgulhoso porque não tinha cedido ao medo quando as coisas pareciam estar em seu ponto mais baixo na batalha, ele tinha ficado e enfrentado aqueles guerreiros. Ele ainda não podia acreditar que, de alguma maneira, ele tinha sobrevivido.
Toda a batalha parecia tão surreal, ele estava tão agradecido por ter sido capaz de usar seus poderes, mas ao mesmo tempo, ele também estava confuso, já que seus poderes não funcionavam sempre. Ele não os entendia, e pior ainda, ele não sabia de onde vinham ou então como controlá-los. Isso o fez perceber que mais do que nunca, ele devia aprender a apoiar-se em suas habilidades humanas também e tratar de ser um melhor lutador, o melhor guerreiro que ele pudesse ser. Ele estava começando a perceber que para ser um melhor guerreiro, ele precisaria de ambas as partes de si mesmo: a parte do lutador e a parte do feiticeiro, se é que ele realmente era isso.
Eles cavalgaram toda a noite, de regresso à Corte do Rei e Thor agora estava cansado além da exaustão, mas também estava alegre. O primeiro sol estava raiando no horizonte e ele sentia como se estivesse vendo o mundo pela primeira vez, ao ter diante de si a vasta imensidão do céu aberto com seus tons de amarelos e rosa. Thor nunca tinha se sentido tão vivo. Ele estava rodeado por seus amigos, Reece, O’Connor, Elden e os gêmeos; além de Kendrick, Kolk, Brom e centenas de membros da Legião, O Exército Prata e o Exército do Rei. Mas, em vez de estar na periferia da Corte, agora ele cavalgava pelo centro, abraçado por todos eles. Na verdade, todos eles olhavam para ele de forma diferente desde a batalha. Agora, ele via a admiração nos olhos não apenas de seus colegas membros da Legião, mas também nos olhos dos guerreiros veteranos. Ele havia enfrentado todo o exército McCloud sozinho e tinha virado a maré da guerra.
Thor estava feliz por não ter desapontado nenhum de seus irmãos da Legião. Ele estava feliz pelo fato de que a maioria de seus amigos tinha escapado ilesa e sentia pesar por aqueles que tinham morrido na batalha. Ele não os conhecia, mas ele desejava poder tê-los salvado também. Tinha sido uma batalha sangrenta feroz e mesmo agora, enquanto Thor cavalgava, cada vez que ele piscava os olhos, as imagens dos combates, das várias armas e dos guerreiros que tinham se lançado contra ele, passavam por sua cabeça. Os McClouds eram pessoas violentas e Thor tinha tido sorte, quem sabe se ele teria a mesma sorte se eles se encontrassem novamente. Quem sabe se ele seria capaz de invocar esses poderes novamente. Ele não sabia se eles alguma vez voltariam. Ele precisava de respostas. E ele precisava encontrar sua mãe. Ele precisava saber quem ele realmente era. Ele precisava buscar Argon.
Krohn choramingou atrás dele, Thor se inclinou para trás e acariciou sua cabeça enquanto Krohn lambia-lhe a palma da mão. Thor estava aliviado ao ver que Krohn estava bem. Thor o havia tirado do campo de batalha e o pôs sobre o dorso de seu cavalo, de modo que Krohn ficasse atrás dele; Krohn parecia ser capaz de andar, porém Thor queria que ele descansasse e se recuperasse para a longa viagem de volta. O golpe que ele havia sofrido havia sido muito forte. Thor achava que ele poderia ter quebrado uma costela. Thor mal conseguia expressar sua gratidão a Krohn, o qual era considerado por Thor mais como um irmão do que um animal, Krohn tinha salvado sua vida mais de uma vez.
Quando eles subiram por uma colina e a vista do reino se estendeu diante deles, Thor pôde ver a seus pés a gloriosa cidade da Corte do Rei, com dezenas de torres e pináculos; com as suas antigas muralhas de pedra; sua enorme ponte levadiça e suas portas em arco; com centenas de soldados de guarda sobre os parapeitos das muralhas e suas estradas contornadas por vastas extensões de terras agrícolas. Tudo isso sem mencionar, é claro o castelo do rei em seu centro. Thor pensou imediatamente em Gwen. Ela tinha lhe dado forças na batalha; ela havia lhe dado razão e propósito para viver. Pensar que ele tinha sido enviado para uma armadilha lá fora, que ele tinha sido emboscado. Thor, de repente, temia pelo destino dela também. Ele esperava encontrá-la bem ao regressar. Quaisquer que fossem as forças que tinham posto em marcha sua traição, elas haviam falhado, já que ele havia saído ileso.
Thor ouviu gritos de alegria à distância, viu algo brilhando na luz, e, quando ele forçou a vista no topo da colina, ele percebeu que havia uma grande multidão no horizonte, ela estava se formando diante da Corte do Rei e bordejava a estrada e agitava bandeiras. Um grande número de pessoas ia saindo para cumprimentá-los.
Alguém tocou uma corneta e Thor percebeu que todos estavam dando-lhes as boas-vindas a casa. Pela primeira vez em sua vida, ele não se sentia como um estranho.
“As cornetas, elas soam para você.” Disse Reece, cavalgando ao lado dele, dando um tapinha nas costas dele, olhando-o com um novo respeito. “Você é o campeão dessa batalha. Você é o herói do povo agora.”
“Imaginem, um de nós, um mero membro da Legião, repelindo todo o Exército McCloud.” O’Connor acrescentou com orgulho.
“Você prestou uma grande honra para toda a Legião.” Disse Elden. “Agora eles vão ter de nos levar muito mais a sério.”
“Sem mencionar que você salvou todas as nossas vidas.” Conval acrescentou.
Thor encolheu os ombros, cheio de orgulho, mas ao mesmo tempo recusando-se a permitir que tudo isso lhe subisse à cabeça. Ele sabia que ele era humano, frágil e vulnerável como qualquer um deles. Ele sabia que o curso da batalha poderia ter sido bem diferente.
“Eu apenas fiz o que fui treinado para fazer.” Thor respondeu. “O que todos nós fomos treinados para fazer. Eu não sou melhor do que ninguém. Eu apenas tive sorte nesse dia.”
“Eu devo dizer que foi muito mais do que sorte.” Reece respondeu.
Todos eles continuaram em um trote lento, descendo a estrada principal em direção à Corte do Rei. Enquanto o faziam, a estrada começou a encher-se de pessoas que se espalhavam ali, provenientes do campo, aplaudindo, agitando as bandeiras reais azuis e amarelas dos MacGils. Thor percebeu que tudo estava se transformando em um completo desfile. Toda a corte tinha saído para celebrar sua chegada e ele podia ver o alívio e a alegria em seus rostos. Ele podia entender o porquê: se o exército McCloud tivesse chegado mais perto, poderia ter destruído tudo aquilo.
Thor cavalgava com os outros, através da multidão de pessoas, fazendo ecoar os cascos dos cavalos sobre a ponte levadiça de madeira. Eles passaram pelo portão de pedra em forma de arco, logo passaram pela escura passagem subterrânea, para em seguida, encontrar-se do outro lado, onde foram recebidos e ovacionados pelas massas, na Corte do Rei. Elas agitavam bandeiras e atiravam caramelos. Uma banda de músicos começou a tocar, fazendo soar os címbalos e batendo os tambores, enquanto as pessoas começaram a dançar nas ruas.
Thor desmontou com os outros quando a multidão ficou espessa demais para permitir-lhes cavalgar. Ele estendeu a mão e ajudou Krohn a descer do cavalo. Ele observou cuidadosamente quando Krohn mancou um pouco e logo depois começou a caminhar; ele parecia andar normalmente agora e Thor sentiu-se aliviado. Krohn virou-se e lambeu a palma da mão de Thor várias vezes.
O seu grupo atravessou a Praça Real, logo, Thor foi abraçado por todos os lados por pessoas que ele não conhecia.
“Você nos salvou!” Um homem mais velho exclamou. “Você libertou o nosso reino!”
Thor queria responder, mas não podia, sua voz foi abafada pelo barulho de centenas de pessoas aplaudindo e gritando em volta deles, junto com o volume da música que subia mais e mais. Logo, barris de cerveja foram trazidos para o campo e as pessoas começaram a beber, rir e cantar.
Mas Thor só tinha uma coisa em mente: Gwendolyn. Ele tinha de vê-la. Ele examinou todos os rostos, desesperado por um vestígio dela, certo de que ela estaria ali. No entanto, ele se sentia destroçado ao ver que não conseguia encontrá-la.
Então, ele sentiu um toque no ombro.
“Eu acho que a mulher que você está procurando está por ali…” Disse Reece, virando-se e apontando para o outro lado.
Thor se virou e seus olhos se iluminaram. Ali estava Gwendolyn caminhando rapidamente em direção a ele, com um enorme sorriso de alívio no seu rosto. Ela parecia ter passado a noite em claro.
Ela parecia mais bonita do que nunca. Ela correu em direto para os braços de Thor. Ela pulou e abraçou-o e ele a abraçou de volta, com força, girando-a no meio da multidão. Ela se agarrou a ele e não o soltava. Thor podia sentir as lágrimas dela escorrendo pelo seu pescoço. Ele podia sentir todo o seu amor, e ele o correspondia.
“Graças a Deus você está vivo.” Ela disse regozijante.
“Eu não pensei em nada além de você.” Thor respondeu, segurando-a firmemente. Quando ele a segurava em seus braços, tudo parecia estar bem no mundo novamente.
Lentamente, ele a soltou, ela olhou fixamente para ele, então eles se inclinaram e se beijaram. Eles ficaram beijando-se por um longo tempo, a multidão ficou a girar em volta deles.
“Gwendolyn!” Reece gritou de alegria.
Ela virou-se e abraçou-o, em seguida, Godfrey se aproximou e abraçou Thor, logo foi a vez de seu irmão Reece. Era uma grande reunião familiar e Thor de alguma forma se sentia parte dela, como se aquela já fosse toda a sua família. Todos eles estavam unidos pelo seu amor por MacGil e pelo seu ódio por Gareth.
Krohn avançou e saltou em cima de Gwendolyn, ela se inclinou para trás com um sorriso e abraçou-o enquanto ele lambia seu rosto.
“Você está maior a cada dia que passa!” Ela exclamou. “Como posso agradecer-lhe por manter Thor a salvo?”
Krohn pulava em cima dela vez após vez, até que, finalmente, rindo, ela teve dar-lhe uns tapinhas carinhosos.
“Vamos sair deste lugar.” Gwen disse a Thor, enquanto era empurrada por todos os lados pela multidão espessa. Ela estendeu sua mão e pegou a mão dele.
Thor estendeu a mão e tomou a mão dela, ele estava prestes a segui-la quando, de repente, vários guerreiros do Exército Prata vieram por trás dele, o levantaram no ar, sobre suas cabeças e o colocaram sobre seus ombros. Quando Thor subiu no ar, a multidão deu um grande grito de alegria.
“THORGRIN!” A multidão aclamou.
Giraram Thor ao redor várias vezes e logo meteram uma jarra de cerveja em sua mão. Ele se inclinou para trás e bebeu dela, a multidão aplaudiu com uma alegria selvagem.
Thor foi baixado abruptamente, ele tropeçou, rindo enquanto a multidão o abraçava.
“Nós nos dirigimos agora para o banquete da vitória.” Disse um guerreiro que Thor não conhecia, um membro do Exército Prata. Ele lhe deu uns tapinhas nas costas com sua mão musculosa. “É um banquete apenas para os guerreiros. Para os homens. Você vai se juntar a nós. Haverá um local reservado para você na mesa. Para você e para vocês também.” Disse ele, voltando-se para Reece, O’Connor e os amigos de Thor. “Vocês são homens agora. E vocês vão se juntar a nós.”
A alegria aumentava enquanto todos eles eram agarrados e arrastados pelos membros do Exército Prata. Thor conseguiu desvencilhar-se no último segundo e virou-se para Gwen, ele sentia-se culpado e não queria desapontá-la.
“Vá com eles.” Ela disse abnegadamente. “É importante que você faça isso… festeje com os seus irmãos. Comemore com eles. É uma tradição entre o Exército Prata. Você não deve perdê-la. Mais tarde, esta noite, me encontre na porta traseira do Salão de Armas. Então, nós vamos estar juntos.”
Thor se inclinou e beijou-a uma última vez, segurando-a enquanto podia, até que ele foi puxado por seus companheiros.
“Eu amo você.” Ela disse para ele.
“Eu também a amo.” Ele respondeu com uma seriedade maior do que ela poderia compreender.
Tudo em que ele podia pensar, enquanto era arrastado, enquanto observava aqueles belos olhos tão cheios de amor por ele, era que ele queria, mais do que qualquer coisa, pedi-la em casamento, para fazê-la sua para sempre. Aquele não era o momento apropriado, mas em breve seria, ele disse para si mesmo.
Talvez fosse naquela noite.
CAPÍTULO DOZE
Gareth estava em seu quarto, olhando pela janela, sob a luz do romper da aurora que banhava a Corte do Rei. Ele observava as massas reunidas abaixo e seu estômago dava voltas. No horizonte via-se materializado o seu pior medo, a própria imagem do que ele mais temia: o exército do rei retornando triunfante, vitorioso de seu combate com os McClouds. Kendrick e Thor cavalgavam no comando, livres, heróis viventes. Seus espiões já o haviam informado de tudo o que tinha acontecido: que Thor tinha sobrevivido à emboscada; que ele estava vivo e bem. Agora, aqueles homens se sentiam embravecidos corajosos, retornavam à Corte do Rei como uma força solidificada. Todos os planos de Gareth tinham ido por água abaixo e isso o deixou com um buraco no estômago. Ele sentiu o reino fechando-se sobre ele.
Gareth ouviu um rangido no quarto dele, ele girou e fechou os olhos rapidamente, invadido pelo medo diante da visão.
“Abra os olhos, filho!” Disse a voz retumbante.
Gareth estava tremendo ao abrir os olhos, ele ficou horrorizado ao ver seu pai, ali com o aspecto de um cadáver, em decomposição, uma coroa enferrujada em sua cabeça e um cetro enferrujado na sua mão. Ele fitava Gareth com um olhar de repreensão, o mesmo olhar que ele lhe dirigira em vida.
“O sangue clamará por sangue.” Seu pai proclamou.
“Eu odeio você!” Gareth gritou. “EU ODEIO VOCÊ!” Ele repetia enquanto puxava um punhal de seu cinto e investia contra seu pai.
Quando ele chegou até o pai para feri-lo, o punhal não golpeou nada além de ar e rolou pelo quarto.
Gareth virou-se, mas a aparição tinha ido embora. Ele estava sozinho no quarto. Ele havia estado sozinho o tempo todo. Será que ele estava perdendo a cabeça?
Gareth correu para o canto mais distante do quarto, vasculhou seu gabinete de vestir e extraiu o cachimbo de ópio com as mãos trêmulas; ele rapidamente o acendeu e inalou profundamente, vez após vez. Ele sentiu o calor da droga varrer seu sistema, sentiu-se perdido temporariamente na vertigem da droga. Ele havia estado consumindo ópio cada vez mais nos últimos dias. Isso parecia ser a única coisa que o ajudava a afastar a imagem de seu pai. Estar ali naquele lugar era um tormento para ele. Gareth estava começando a se perguntar se o fantasma de seu pai não estaria preso naquelas paredes e se ele não deveria mudar sua corte para outro lugar. Ele realmente gostaria de demolir o edifício. Aquele lugar retinha cada lembrança de sua infância que ele odiava.
Gareth voltou-se para a janela, coberto de um suor frio, ele enxugou a testa com as costas da mão enquanto observava. O exército se aproximava e Thor era visível mesmo a partir dali, as massas estúpidas o rodeavam como a um herói. Isso fez com que ele ficasse lívido, o fez ficar verde de inveja. Cada plano que ele tinha posto em marcha tinha resultado mal: Kendrick havia sido libertado; Thor estava vivo; até mesmo Godfrey conseguira escapar do veneno, do veneno suficiente para matar um cavalo.
Por outro lado, seus outros planos tinham dado certo: Firth, pelo menos, estava morto e não havia nenhuma testemunha para provar que ele tinha matado seu pai. Gareth respirou fundo aliviado, percebendo que as coisas não eram tão ruins quanto pareciam. Afinal, a caravana dos Nevaruns ainda estava a caminho para buscar Gwendolyn, arrastá-la para algum canto horrível do Anel e casá-la. Ele sorriu ao ter esse pensamento, já começando a se sentir melhor. Sim, pelo menos ela estaria fora de suas preocupações em breve.
Gareth tinha tempo. Ele iria encontrar outras formas de lidar com Kendrick e Thor e Godfrey. Ele tinha miríades de planos maléficos para matá-los. E ele tinha todo o tempo e todo o poder do mundo para fazer isso acontecer. Sim, eles tinham ganhado essa rodada, mas eles não iriam ganhar a próxima.
Gareth ouviu outro gemido e virou-se, mas não viu nada no quarto. Ele tinha de sair dali, ele não podia aguentar mais.
Ele virou-se e saiu da sala, a porta foi aberta antes mesmo que ele a alcançasse, seus assistentes tinham sempre o cuidado de antecipar-se a todos os seus movimentos.
Gareth jogou o manto e a coroa de seu pai sobre si pegou seu cetro e marchou pelo corredor. Ele desceu pelos corredores até chegar a sua sala de jantar privada: uma câmara de pedra finamente construída com altos tetos abobadados e seus vitrais coloridos, iluminados pela luz matinal. Dois atendentes aguardavam ao lado da porta aberta e outros ficaram esperando atrás da cabeceira da mesa. Era uma mesa de banquete longa, com cerca de quinze metros de extensão, dezenas de cadeiras estavam alinhadas a ambos os lados dela; o atendente puxou uma antiga cadeira de carvalho para Gareth enquanto ele se aproximava, era a mesma cadeira na qual seu pai tinha se sentado inúmeras vezes.
Gareth estava sentado ali e percebia o quanto ele odiava aquela sala. Ele lembrou-se de ser forçado a sentar-se ali quando era criança com toda a sua família sentada ao seu redor, lembrou-se de ser repreendido por seu pai e sua mãe. Agora, a sala era profundamente solitária. Não havia ninguém ali, além dele, nem seus irmãos ou irmãs, pais ou amigos. Nem mesmo seus assessores. Ao longo dos últimos dias, ele tinha conseguido isolar todo mundo e agora ele jantava sozinho. Ele preferia que fosse assim, de todas maneiras. Muitas haviam sido às vezes em que ele tinha visto o fantasma de seu pai ali com ele e teria ficado envergonhado se chorasse na frente dos outros.





